Pandora não é aqui
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No filme de ficção científica, Avatar, uma empresa explora minério em Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três gigantes gasosos fictícios orbitando Alpha Centauri, a 4,4 anos-luz da Terra. Os humanos têm o objetivo de explorar em Pandora as reservas de um precioso minério chamado Unobtainium. O chefe da operação mineradora emprega ex-soldados e ex-fuzileiros como mercenários. Pandora é habitado por uma espécie de humanóides chamada Na'vi, que vivem em harmonia com a natureza e são considerados primitivos pelos humanos que não têm uma convivência pacífica com os Na'vi por não entenderem sua cultura de venerar a natureza.
Pandora não é aqui, e não estamos indo em direção contrária ao progresso. Mas, em outubro de 2008, o movimento ambientalista Greenpeace encontrou contaminação radioativa em amostras de água usada para consumo humano, coletadas na área de influência direta da mineração de urânio no município de Caetité, no sertão baiano.
Por outro lado, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, anunciou a intenção do governo brasileiro de construir 50 usinas nucleares nos próximos 50 anos. A declaração sobre as 50 novas usinas nucleares aconteceu na mesma semana em que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou um relatório apontando que o Brasil e outros países da América Latina e do Caribe poderiam reduzir em 10% seu consumo de energia até 2018 se adotassem medidas de eficiência energética como sistemas de iluminação ou equipamentos energeticamente eficientes.
“O ministro teve um delírio nuclear e esqueceu de avisar aos demais setores da sociedade brasileira", afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace, lembrando que tanto a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) quanto o mercado foram pegos de surpresa com a notícia. A EPE, empresa estatal, já declarou que as dezenas de usinas anunciadas pelo ministro não estão sendo estudadas nem planejadas. O mercado foi mais duro com a proposta de Lobão. O anúncio foi qualificado com adjetivos como "inviável" e "estapafúrdio", segundo relatou a imprensa.
Governo e Greenpeace estão sendo radicais nas suas colocações, mas não podemos nos esquecer dos males que estamos sofrendo por termos nos distanciado da natureza, não termos a humildade de aprender com os índios a “ler” os seus sinais de alerta. Sou ambientalista por convicção, mas, nem por isso, sou contra o progresso. Apenas espero das partes envolvidas bom senso e cuidado no trato com a Natureza, pois ela reage, e, às vezes, de forma violenta, às agressões que sofre.
Espero que o governo federal, ao contrário da ministra Dilma Rousseff, não entenda que “o meio ambiente atrapalha o progresso” e não ponha mercenário para combater os nativos do sertão baiano, que vivem em harmonia com a natureza e muito nos podem ensinar sobre o convívio com ela, e dela tirar o que há de melhor, sem agredi-la.
Como disse. Pandora não é aqui! |