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18/01/2010 - 9:8
Mais uma vez a (in) segurança na Bahia

Gostaríamos de não ter que voltar a este assunto em nosso primeiro artigo do ano de 2010. Porém, não podemos nos omitir diante de tamanho descaso do governo do PT para com a segurança do povo baiano. As manchetes na imprensa não falam de outra coisa senão em homicídios, estupros, assaltos, em fim, só se fala na violência crescente, inclusive, no interior do Estado.
Questionado sobre a situação da segurança pública na Bahia, o governador Jaques Wagner disse que a situação tem sido utilizada de forma irresponsável pelos contrários com vistas à eleição majoritária deste ano.  Ele declarou que “a Bahia está cada vez mais preparada. Este é um problema de todos os baianos. Vamos conversar com o presidente Lula para tentar resolver a situação, mas estão utilizando a questão da segurança pública como álibi eleitoral. Sem dúvida, com os investimentos em inteligência e no funcionalismo a segurança está melhor do que era. E tem a luta contra o crack, que é um processo árduo e demorado”.
Estamos esperando uma ação do governador há três anos, quando ele assumiu os destinos da Bahia com a promessa de mudanças. Mas as esperanças depositadas em Jaques Wagner se frustraram. Os números estão piores a cada ano e não se verificou nenhuma ação relevante para reverter o quadro de violência. Infelizmente as mudanças vieram, mas, para pior.
Em tempos de governo do PT o interior deixou de ser o lugar tranqüilo onde as pessoas buscavam a tranquilidade que os grandes centros deixaram de oferecer. Acabou o sonho de morar com segurança nas pequenas cidades da Bahia.
Em Feira de Santana o numero de homicídios em 2009 cresceu. Como já se desenhava desde o começo, o ano teve um recorde no número de homicídios. Foram 342, sem contar os 22 latrocínios. São 47 mortes a mais que no ano anterior. A estatística de crimes na cidade é atualizada diariamente por radialistas que trabalham no Complexo Policial. Segundo eles, este ano somente na primeira quinzena foram registrados mais de um homicídio por dia.
Antes a violência preocupava apenas a população de Salvador e de algumas outras grandes cidades, hoje se estendeu por todo o Estado. Dos mais de 12 mil homicídios ocorridos na Bahia nos anos de 2007, 2008 e 2009, 60% foram registrados no interior, como denunciou o presidente estadual dos Democratas, o ex-governador Paulo Souto, em seu comentário na rádio Metrópole.
Nas regiões de Feira de Santana e Vitória da Conquista, com base nos dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, Souto informa que houve um aumento de cerca de 20% no número de assassinatos em 2009. Mas a violência não grassa só entre os municípios maiores. Recentemente em Santa Bárbara os bandidos chegaram a trancar o portão do prédio da Delegacia, onde funcionam as polícias civil e militar para assaltar a agência do Banco do Brasil da cidade com mais tranqüilidade.  Em Santa Luz a ação dos bandidos foi idêntica.
Para evitar a violência no interior, o então governador Paulo Souto criou as Companhias Especializadas do Cerrado, da Mata Atlântica, do Semi-Árido, do Paraguaçu, do Sudoeste e da Região Cacaueira. A medida foi uma reação ao crime organizado que começava a assaltar bancos no interior. As ações das companhias especiais promoveram uma redução de 75% no número de assalto a bancos e roubos de carga no interior do estado no período de 2003 a 2006. 
Essas tropas especiais com contingente de 100 homens cada uma eram devidamente equipadas com armamento e veículos adequados e ganharam grande prestígio junto às comunidades às quais prestavam serviço. Mas, o que se sabe é que houve, no atual governo, um desaparelhamento dessas companhias, com diminuição de efetivo e sucateamento de equipamentos e veículos, numa demonstração de total insensibilidade com a falta de segurança em que vive atualmente toda a Bahia.
Agora a expectativa da população de Feira de Santana se volta para o governo municipal, já que o prefeito Tarcízio Pimenta criou no final do ano passado a secretaria de Prevenção à Violência. Adquiriu e equipou oito viaturas para servir aos oito distritos de Feira de Santana, através de parceria com a Polícia Militar, que estão à espera de convênio com o Governo da Bahia para entrarem em operação. Os veículos foram preparados pela Prefeitura para reforçar a segurança pública, atendendo exclusivamente à zona rural.
Até o arcebispo Dom Itamar Vian revelou que o governador precisa priorizar mais essa questão em Feira e que em várias oportunidades falou da questão ele. “Precisamos buscar as causas disso e combatê-las. Noto que, em geral, todos têm preocupação grande com os efeitos da violência, pois todos temos medo de assalto, sequestro e tudo mais. Mas pouco ou nada se faz para combater a causa disso”, afirmou.

 
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