A morte de Zilda Arns, uma das vítimas do terremoto que devastou a capital haitiana, Porto Príncipe, na última terça-feira (12), teve grande repercussão no Congresso Nacional. O deputado Fernando de Fabinho ratifica as declarações do presidente da Câmara Michel Temer que lamentou o que considera uma perda irreparável. Ele destacou que a médica pediatra e sanitarista deixa milhões de órfãos no Brasil. Além dos integrantes de sua família, os muitos filhos adotados em seu trabalho nas pastorais da Criança e do Idoso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Em nota oficial Temer lembrou que Zilda Arns tornou-se sinônimo de doação em sua luta pelos mais carentes, em seu combate diuturno à mortalidade infantil e na busca pela melhoria da vida do povo. O deputado lamentou as mortes de todos os brasileiros que estavam no País e expressou solidariedade às suas famílias.
Fabinho lamentou a morte de Zilda Arns e afirmou que o Brasil perdeu a grande defensora das crianças. Disse estar solidário a todos que conviveram e contribuem para a causa de Zilda e que o trabalho dela deve servir de inspiração para todos nós para seguir na defesa das crianças brasileiras.
Símbolo
Na opinião de Fernando de Fabinho, “ela foi uma das grandes batalhadoras pelos direitos das crianças e tornou-se, além disso, um símbolo da luta pelas mulheres e pela saúde pública. O esforço dela pelas crianças no Brasil poderia ser comparado ao trabalho social de Madre Teresa de Calcutá na Índia.”
Ele ressaltou também que brasileiros e não brasileiros sentirão muito a falta de Zilda Arns, que dedicou sua vida a ajudar os mais necessitados aqui e em outros países, como o Haiti, onde ministraria palestras numa conferência de religiosos do Caribe: “Ela deixa saudade, mas acima de tudo um exemplo de dedicação para que outras pessoas abracem a sua causa.”
Perfil
Zilda Arns tinha 75 anos e era irmã do ex-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e tia do senador Flávio Arns (PSDB-PR). Médica pediatra e sanitarista, ela tinha cinco filhos e nove netos e notabilizou-se principalmente por suas ações na área da saúde das crianças pobres, lutando em especial contra a desnutrição infantil.
Ela foi homenageada pelo Congresso em 2005, quando recebeu o diploma Mulher Cidadã Berta Lutz. Foi agraciada com a Medalha Mérito Legislativo Câmara dos Deputados, em 2002. Em 2006, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.